Premiê anuncia decisão em pronunciamento, mas nega que tenha envolvimento com ofensiva contra o país persa: “todos nos lembramos dos erros do Iraque”Premiê anuncia decisão em pronunciamento, mas nega que tenha envolvimento com ofensiva contra o país persa: “todos nos lembramos dos erros do Iraque”

Reino Unido autoriza EUA a usarem bases militares em ataques ao Irã

2026/03/02 20:07
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O governo do Reino Unido aceitou o pedido norte-americano para utilizar instalações militares britânicas em ataques contra depósitos e lançadores de mísseis do Irã. O anúncio foi feito pelo primeiro-ministro Keir Starmer (Partido Trabalhista) no domingo (1º.mar.2026). A decisão, segundo Starmer, visa a proteger cidadãos britânicos no Oriente Médio.

O premiê declarou, no entanto, que “todos nos lembramos dos erros do Iraque e aprendemos aquelas lições” e, por isso, o Reino Unido “não esteve envolvido nos ataques iniciais contra o Irã e não se juntará às ações ofensivas agora”. O primeiro-ministro referiu-se à invasão do Iraque pelos EUA em 2003, que contou com o apoio britânico.

Assista à íntegra do pronunciamento de Starmer:

No sábado (28.fev.2026), Israel e EUA iniciaram uma campanha militar contra o país persa que matou o líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei. O regime respondeu com ataques contra ativos norte-americanos e países da região que possuem presença militar dos EUA, como Bahrein, Qatar, Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Iraque.

Horas depois do pronunciamento de Starmer, a base da RAF (Força Aérea Real, do Reino Unido) em Akrotiri, no Chipre, sofreu um ataque de drone. O incidente se deu por volta da meia-noite no horário local (19h Brasília). O ataque causou “danos mínimos”, segundo o Ministério da Defesa do país, e não houve vítimas.

Segundo informações obtidas pela rede britânica BBC, os EUA devem usar a estação Fairford, da RAF, situada em Gloucestershire, na Inglaterra, e a instalação da Marinha Diego Garcia, no Oceano Índico, para executar as operações contra as instalações de mísseis do Irã. Ambos os locais já foram utilizados pelos EUA no passado para missões de bombardeio de longo alcance.

Em seu pronunciamento, Starmer declarou que as bases serão usadas para o “propósito defensivo específico e limitado” de destruir mísseis iranianos.

A única maneira de parar a ameaça é destruir os mísseis na origem, em seus depósitos de armazenamento, ou os lançadores que são usados para disparar os mísseis. Tomamos a decisão de aceitar este pedido [dos EUA] para impedir que o Irã dispare mísseis pela região, matando civis inocentes, colocando vidas britânicas em risco e atingindo países que não estiveram envolvidos”, disse.

Starmer acusou o regime iraniano de estar “se tornando ainda mais imprudente” e de colocar cidadãos britânicos, incluindo integrantes das Forças Armadas, bem como aliados, em “enorme risco”. Ele acrescentou que 200 mil cidadãos britânicos estão presentes na região do Oriente Médio, incluindo residentes permanentes, turistas e passageiros em trânsito.

O primeiro-ministro afirmou que ataques iranianos “atingiram aeroportos e hotéis onde cidadãos britânicos estão hospedados”. No sábado, segundo o primeiro-ministro, um ataque iraniano “atingiu uma base militar no Bahrein, perto de onde estava uma equipe britânica”.

Ele disse ainda que os parceiros do Reino Unido no Golfo Pérsico pediram mais apoio defensivo.

ATAQUES AO IRÃ

No sábado (28.fev.2026), os EUA e Israel iniciaram uma ofensiva militar contra o Irã. Além de Teerã, capital iraniana, ao menos outras 18 localidades também foram atingidas. O espaço aéreo do Irã foi fechado.

Entre os locais atingidos estão Teerã, Abyek, Karaj, Tabriz, Urmia, Kermanshah, Lorestan, Qom, Ilam, Khorramabad, Dezful, Shiraz, Bushehr, Bandar Abbas, Minab, Asaluyeh, Konarak, Chabahar e Isfahan.

No anúncio do início da campanha militar, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Partido Republicano), afirmou que o objetivo era pôr fim ao programa nuclear do regime persa e atuar em defesa dos norte-americanos. Trump também disse que a “a hora da liberdade” dos iranianos estava próxima.

Mais tarde, Trump e o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu (Likud, direita), confirmaram a morte do líder supremo do Irã, Ali Khamenei, de 86 anos, em 1 dos ataques realizados na manhã de sábado (28.fev) em Teerã. Posteriormente, o governo iraniano corroborou a informação e decretou 40 dias de luto oficial.

Foi formado um conselho composto por 3 integrantes para exercer as funções do líder supremo. Integram o grupo interino o aiatolá Alireza Arafi, o presidente do país, Masoud Pezeshkian, e o chefe do Judiciário, Gholamhossein Mohseni Ejei.

ESCALADA NA TENSÃO

O ataque dos EUA ao Irã foi realizado depois de semanas de tensão entre os 2 países. Em 19 de fevereiro, Trump afirmou que, em até 10 dias, saberia se deveria dar “um passo adiante” em relação a um ataque contra o país persa.

Depois, o republicano declarou que todos, incluindo o chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas, Dan Caine, consideram que uma eventual guerra contra o Irã resultaria em uma “vitória fácil” dos norte-americanos.

No discurso do Estado da União, na 3ª feira (24.fev), Trump disse que os EUA ainda não tinham ouvido o Irã pronunciar “aquelas palavras mágicas: ‘nunca teremos uma arma nuclear’”. No pronunciamento, o presidente norte-americano afirmou que o regime persa “já desenvolveu mísseis que podem ameaçar a Europa e as nossas bases no exterior, e está trabalhando para construir mísseis que, em breve, chegarão aos EUA”.

As declarações de Trump foram feitas enquanto o país realizava conversas diplomáticas com o Irã, que não resultaram em acordo.

Uma autoridade sênior do Irã disse à Reuters que o país estaria disposto a fazer concessões aos EUA se os norte-americanos reconhecessem o seu direito de enriquecer urânio para fins pacíficos e suspendessem as sanções econômicas.


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