O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) criticou em suas redes sociais, na 5ª feira (15.jan.2026), a transferência do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), da Superintendência da PF (Polícia Federal) para uma Sala de Estado-Maior no Núcleo de Custódia da Polícia Militar do Distrito Federal, conhecido como Papudinha, no Complexo Penitenciário da Papuda.
Alexandre de Moraes, ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), autorizou a transferência na 5ª feira (15.jan). O magistrado considerou que a sala oferece condições “mais favoráveis” para o ex-presidente.
Assista ao vídeo (1min25s):
Eduardo comparou o caso de Bolsonaro com o do ex-presidente Fernando Collor de Mello, que cumpre pena em prisão domiciliar. Segundo o ex-deputado, o objetivo de Moraes seria tirar o pai da corrida presidencial deste ano.
“Esse é o motivo real, o motivo político pelo qual Alexandre de Moraes não cede em enviar Bolsonaro para uma prisão domiciliar”, disse. “O que já seria injusto por si só, em virtude de casos muito mais leves como o do ex-presidente Fernando Collor, que está em prisão domiciliar, sob decisão de Alexandre de Moraes, por ter apneia do sono”, declarou Eduardo.
A mudança de regime de Collor, 76 anos, foi recomendada pela PGR (Procuradoria Geral da República) e autorizada por Moraes depois que a defesa argumentou idade avançada e comorbidades graves. Segundo os advogados, além de apneia do sono, Collor tem Parkinson e transtorno afetivo bipolar.
Condenado a 27 anos e 3 meses no processo que investiga uma tentativa de golpe de Estado, Bolsonaro, 70 anos, esteve em prisão domiciliar de 4 de agosto a 22 de novembro. Foi encaminhado para a unidade prisional da PF depois de tentar violar a tornozeleira eletrônica imposta pela Corte.
Todas as suas saídas foram para realizar procedimentos médicos, em decorrência da facada sofrida em 2018.
Em 6 de janeiro, Bolsonaro sofreu uma queda na cela e passou por exames para verificar se não tinha sofrido algum dano neurológico. Na 3ª feira (13.jan), a defesa apresentou um novo pedido de prisão domiciliar humanitária para o ex-presidente.
Para Eduardo, a decisão de Moraes pela transferência “demonstra mais uma vez a sua total insensibilidade, a sua psicopatia”. Ao fim do vídeo, ele instou os seus seguidores a “eleger senadores comprometidos com a causa da liberdade”. Um dos objetivos de aliados de Bolsonaro nas eleições deste ano é aumentar a bancada no Senado, onde os pedidos de impeachment de ministros do STF são protocolados e podem ser votados.
Sem citar o irmão Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que anunciou sua pré-candidatura à Presidência, Eduardo também pediu o apoio a um “presidente que não compactue com esse sistema”.
A nova unidade na qual Bolsonaro ficará preso na Papudinha tem, ao todo, 64,83 m² e incluirá banheiro, cozinha, lavanderia, quarto, sala e área externa. Além disso, a cozinha terá equipamentos para o preparo e armazenamento de comida, o banheiro conta com água quente e o quarto tem cama de casal e TV. Na unidade da PF, a cela tinha 12 m².
Para o magistrado, a nova unidade prisional permitirá um aumento do tempo de visitas aos familiares, com a realização livre de banho de sol e exercícios em horário próprio. A decisão cita que Bolsonaro poderá instalar aparelhos para fisioterapia, como esteira e bicicleta, conforme recomendações médicas.
Bolsonaro também terá direito a 5 refeições diárias e um local próximo para atendimento médico. Moraes afirma que, diante das queixas do ex-presidente sobre a cela na PF, há conveniência na imediata transferência.

