Donald Trump intensifica pressão política sobre o Federal Reserve em meio à guerra no Irã.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, subiu o tom contra o comando do Federal Reserve (Fed) nesta quinta-feira (19). Em declarações agressivas à imprensa, o republicano chamou o presidente da autoridade monetária, Jerome Powell, de “teimoso e incompetente”, após a decisão do banco central de manter as taxas de juros inalteradas no patamar de 3,50% a 3,75%.
A crítica ocorreu momentos antes de uma reunião bilateral com a primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi. Trump defende que o Fed deveria iniciar um ciclo de afrouxamento monetário de forma “definitiva e imediata”.
O novo ataque de Trump ignora o comunicado oficial divulgado pelo Fed na última quarta-feira (18). No documento, o comitê destacou que o ambiente de incerteza global, intensificado pelo conflito no Oriente Médio, impede uma redução segura das taxas no momento.
“O Fed deveria cortar os juros. O Powell não é inteligente. Ele é teimoso e incompetente e, quando se é assim, é um problema, não é uma boa combinação”, afirmou o presidente norte-americano, reforçando a pressão política sobre a autonomia da instituição.
Apesar de o mercado financeiro e o próprio Fed demonstrarem preocupação com o barril do petróleo Brent próximo de US$ 120, Trump minimizou os efeitos da guerra sobre os preços da energia. Para o presidente, o impacto inflacionário do conflito iniciado por Washington contra o Irã está abaixo do esperado.
“Achei que seria pior, muito pior”, disse Trump, contrastando com a visão de analistas que apontam o preço dos combustíveis como o principal vilão para a convergência da inflação à meta de 2%.
A postura de Trump surge em um dia em que o mercado zerou as apostas de corte de juros para 2026, projetando que as taxas só caiam em 2027 devido à resiliência do emprego e à pressão das commodities.


