A Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos clarificou a sua posição sobre como os ativos cripto devem ser classificados. Para os corretores, essa clareza vem acompanhada de uma nova camada de responsabilidade.
O Presidente da Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos, Paul Atkins, apresentou a taxonomia de tokens há muito aguardada, desenvolvida em coordenação com a CFTC. As novas regras confirmam que os tokens que atendem à definição de contratos de investimento permanecem sujeitos à regulamentação de valores mobiliários, enquanto outras categorias, como stablecoins de pagamento, mercadorias digitais e colecionáveis, ficam fora das regras de valores mobiliários.
Para grande parte do setor de corretagem, este enquadramento define onde os corretores podem participar sem acionar as regras completas de valores mobiliários. Mas a orientação também altera a forma como o risco é gerido.
Da Incerteza Jurídica à Responsabilidade Operacional
Durante anos, o principal risco para os corretores era a imprevisibilidade. Um token poderia ser listado e posteriormente reclassificado, expondo as empresas a ações de fiscalização.
Esse risco agora passou para as operações do dia a dia. A Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos deixou claro que o estatuto de um token pode mudar dependendo de como é comercializado e utilizado.
Um ativo inicialmente tratado como um não-título pode estar sujeito às regras de valores mobiliários se for apresentado como parte de uma oferta de investimento com expectativa de lucro.
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Isto significa que a classificação já não é fixa. O estatuto regulatório de um token pode evoluir à medida que o seu ecossistema se desenvolve ou à medida que o seu posicionamento muda. Na prática, isto transforma a classificação num processo contínuo e não numa decisão de listagem única.
Os corretores precisarão de monitorizar como os ativos são utilizados e ser capazes de explicar a sua classificação se os reguladores a questionarem.
Porto Seguro Aumenta os Riscos
O "porto seguro" de quatro anos proposto para startups cripto adiciona outra camada. A ideia é permitir que os projetos sejam lançados e angariem capital sob requisitos mais leves durante um período definido, desde que cumpram certas condições. Se implementado, isto poderia aumentar o volume de novas emissões de tokens.
Como Atkins enquadrou: "Tal porto seguro proporcionaria aos inovadores cripto caminhos sob medida para angariar capital nos EUA, proporcionando ao mesmo tempo proteções adequadas aos investidores."
Para os corretores, isso significa mais ativos a entrar no mercado numa fase inicial, quando a classificação está menos estabelecida. A participação em tais ofertas também pode exigir um acompanhamento mais próximo de como os projetos evoluem ao longo do tempo.
Se um token posteriormente atender à definição de um título, as suposições anteriores podem ser revistas.
Uma Mudança em Onde Reside o Risco
A abordagem da Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos confere ao mercado mais estrutura. Também altera onde as decisões são tomadas. Anteriormente, grande parte da incerteza residia nos reguladores. Agora, a maior parte reside nos participantes do mercado.
Os corretores terão de passar de reagir à ação regulatória para tomar e defender decisões de classificação em tempo real. As regras são mais claras. A margem de erro pode ser mais estreita.



