Tatiana Pimenta, CEO da Vittude Divulgação/Nicolas Siegmann Em 2015, Tatiana Pimenta viveu um daqueles dias que mudam a vida. Foi demitida durante uma rees Tatiana Pimenta, CEO da Vittude Divulgação/Nicolas Siegmann Em 2015, Tatiana Pimenta viveu um daqueles dias que mudam a vida. Foi demitida durante uma rees

Como demissão, doença na família e experiência pessoal levaram Tatiana Pimenta a criar uma plataforma de saúde mental

2026/03/18 17:01
Leu 8 min
Para enviar feedbacks ou expressar preocupações a respeito deste conteúdo, contate-nos em crypto.news@mexc.com
Tatiana Pimenta, CEO da Vittude — Foto: Divulgação/Nicolas Siegmann Tatiana Pimenta, CEO da Vittude — Foto: Divulgação/Nicolas Siegmann

Em 2015, Tatiana Pimenta viveu um daqueles dias que mudam a vida. Foi demitida durante uma reestruturação na empresa onde trabalhava e recebeu a notícia de que seu pai havia sido diagnosticado com câncer.

Enquanto acompanhava o tratamento dele e lidava com a ruptura profissional, Tatiana começou a perceber um problema. Seus pais, que moravam no interior do Mato Grosso do Sul, não conseguiam orientação médica à distância. Não dava para falar com o médico por telefone, muito menos por videochamada. As questões que surgiram naquela época acabariam mudando sua trajetória.

Engenheira civil, com mais de uma década de carreira, Tatiana decidiu usar o período fora do mercado de trabalho para estudar tecnologia e se viu envolvida no ecossistema de startups no Brasil. No final, acabou em uma área totalmente diferente da sua: a de saúde mental.

Continuar lendo

Em 2016, nasceu a Vittude, uma plataforma criada para conectar psicólogos e pacientes e ampliar o acesso à terapia online em um momento em que esse tipo de atendimento ainda nem existia no Brasil.

Quase dez anos depois, com a Vittude consolidada na área de saúde mental corporativa, atendendo grandes empresas e desenvolvendo ferramentas próprias, Tatiana, que está grávida de uma menina, se prepara para lançar o livro "Saúde mental é inegociável", com o compilado dos aprendizados dos últimos anos.

Confira, a seguir, os principais trechos da entrevista com a CEO da Vittude, que fala sobre transição de carreira, os desafios de liderar uma empresa em um mercado que praticamente não existia, preconceito e as lições de uma década empreendendo:

Época NEGÓCIOS: Como você começou sua vida profissional?

Tatiana Pimenta: Sou engenheira civil de formação e comecei minha carreira de forma bem tradicional, em um programa de trainee da Votorantim Cimentos, onde fiquei por quase quatro anos. Depois, continuei no setor cimenteiro em outra empresa e na sequência migrei para a Arauco, no segmento florestal. Em 2015, estava em uma empresa suíça que fabricava equipamentos para construção civil. Muito voltados para o setor energia e gás, eles foram bastante impactados pela Lava Jato e pela paralisação de algumas obras da Petrobras. Precisaram fazer uma reestruturação e eu acabei saindo neste período.

Meu pai teve câncer nesta mesma época. Recebi a notícia da doença no mesmo dia em que fui demitida. Foi um daqueles dias que mudam a vida. Durante o processo de tratamento do meu pai, passamos por algumas dificuldades. Meus pais moram no interior do Mato Grosso do Sul e a gente não conseguia falar com o médico por telefone, por Skype. Não entendia por que era difícil conseguir uma orientação com um profissional de saúde a distância. Quando o tratamento terminou, decidi não voltar para o mercado de trabalho e aproveitar aquele tempo para estudar e arejar as ideias.

Fui estudar tecnologia. Na época, as startups estavam em alta no Brasil. Havia movimentos de aceleradoras, iniciativas do governo, da prefeitura de São Paulo. Comecei a participar de alguns eventos, todos voltados para inovação na área de saúde, com foco em telemedicina. Acabei conhecendo algumas pessoas, como o Paulo Chapchap, que era presidente do Sírio-Libanês, e o time de inovação de lá. A partir disso, tive algumas ideias. E acabei entendendo que a telemedicina teria dificuldade em avançar. O próprio pessoal do Sírio me deu uma dica de que, nessa parte de atendimento remoto digital, talvez a psicologia fosse uma área mais interessante.

E como surgiu a Vittude?

Quando recebi esse feedback, acabei lembrando de uma história pessoal. Tive depressão em 2012 e passei por um monte de desafios para encontrar psicólogo. O mesmo problema de 2012 ainda existe em 2026: os psicólogos são extremamente mal remunerados pelas operadoras de saúde. Há hoje operadoras pagando R$ 13 por consulta. Eu tinha passado por experiências ruins. Tive um psicólogo que dormiu durante a minha sessão. Quantas sessões um profissional que ganha R$ 13 por consulta precisa fazer para conseguir pagar as contas no final do mês? Foi daí que surgiu a ideia de criar uma plataforma que conectasse psicólogos e pacientes. A Vittude nasceu em maio de 2016 com foco em terapia online, em um momento em que a terapia online não era permitida no Brasil. A gente trabalhou dois anos e meio para conseguir regulamentar o setor.

Como o modelo de negócio evoluiu?

A Vittude começa como um marketplace B2C em 2016, quando a Organização Mundial da Saúde se posiciona pela primeira vez sobre burnout, definindo que ele seria equiparado a uma doença ocupacional. Ao se tornar doença ocupacional, as empresas passariam a precisar comunicar os casos, o que geraria custos. Foi quando a gente começou a procurar as primeiras companhias e a mudar o modelo para B2B. Hoje é 100% B2B.

Nesses dez anos, qual foi o maior desafio para você?

O maior desafio é ser CEO. Nunca tinha sido uma grande executiva antes de assumir essa posição. Já tinha chegado até uma gerência executiva sênior, mas estar na posição número um demanda uma reinvenção quase que constante. Liderar uma empresa em um setor que era novo para mim exigiu estudar muito e aprender muito. É preciso estar bem atualizada e pensar no que ainda não existe. Estar sempre fazendo novas conexões, pensando com quem preciso conversar, trocando com outros executivos. O próprio desafio de aprender a contratar, formar time, interagir em outro nível são coisas que me exigiram bastante na cadeira de CEO. Errei muito no começo da carreira, principalmente na parte de gestão e de liderança. E sigo aprendendo.

Você enfrentou desafios por ser mulher?

Eu vi mais desafios em algumas etapas da jornada. Para mim, isso ficou muito claro quando levantamos a rodada série A, de US$ 7 milhões. Cheguei a fazer mais de cem apresentações e falei com 120 fundos para conseguir dois sins. Um homem faz três pits e já pega um cheque. Tinha gente que nem prestava atenção. Eu cheguei a entrar em reunião em que todo mundo assistiu ao que falei, fez pergunta e depois falaram: 'eu não vou investir porque você não tem tamanho para ser investida'. Quando perguntei qual seria o tamanho esperado, era um terço da receita que eu já tinha apresentado. Ali eu senti na pele o quão é difícil levantar uma rodada, o quão é difícil você falar com um fundo e não ouvir uma pergunta como: 'Você vai casar? Vai ter filho? Como você planeja sua vida pessoal?" Um tipo de pergunta que ninguém faz para um homem. É muito desafiador. Chega uma hora que você questiona se está mesmo no lugar certo.

Como você conseguiu superar isso?

Foi na insistência mesmo. Levou muito mais tempo. Eu via que na época as rodadas levavam de seis a oito meses. A nossa levou 12 ou 13. Eu sabia que, em algum momento, alguém iria falar sim. E falaram.

Como é sua rotina hoje?

Eu sempre falo: trabalho com saúde mental, então, tenho de cuidar da minha. Sempre me coloco primeiro na agenda. Meu dia começa, em geral, com alguma atividade física. Moro perto do Parque Ibirapuera, gosto de ir lá umas três vezes por semana. Tenho meus momentos de autocuidado, para uma massagem, um descanso. Também tento garantir sempre oito horas de sono. Se eu não durmo bem, minha cognição não funciona, fico lenta. E tento manter uma alimentação saudável. Acho que esses hábitos ajudam você a estar bem. Eu engravidei com 44 anos. As pessoas perguntam se não é uma gravidez de risco. Falo: "gente, tive uma gravidez supersaudável". Eu me exercitei, não tive crise de ansiedade, não fiquei nervosa, não tive enjoo. Acho que muito se dá por conta de um corpo que se movimenta há 40 anos.

Quais dicas você daria para mulheres que querem empreender ou assumir posições de liderança?

Primeiro, acreditar que é possível. Segundo, ignorar o ruído. Vai ter muita gente dizendo que você está louca ou que não vai dar certo. Se eu fosse ouvir todo mundo que falou que não iria dar certo, não estaria aqui. Eu vejo muitas mulheres com autoestima baixa. Acreditar que você pode é o primeiro passo. E a gente tem de se preparar. Estudar, estar sempre à frente, mostrar competência. Acho que às vezes, por ser mulher, a gente tem que mostrar mais do que os homens. Isso é talvez o custo de ser mulher. Para quem está pensando em empreender, é preciso estar preparada. Inclusive, financeiramente. Vai exigir resiliência.

Mais recente Próxima Ela evitou que 20 mil toneladas de alimentos fossem para o lixo, ajudou 2 milhões de brasileiros e quer ir muito mais longe
Oportunidade de mercado
Logo de UMA
Cotação UMA (UMA)
$0.4343
$0.4343$0.4343
+0.92%
USD
Gráfico de preço em tempo real de UMA (UMA)
Isenção de responsabilidade: Os artigos republicados neste site são provenientes de plataformas públicas e são fornecidos apenas para fins informativos. Eles não refletem necessariamente a opinião da MEXC. Todos os direitos permanecem com os autores originais. Se você acredita que algum conteúdo infringe direitos de terceiros, entre em contato pelo e-mail crypto.news@mexc.com para solicitar a remoção. A MEXC não oferece garantias quanto à precisão, integridade ou atualidade das informações e não se responsabiliza por quaisquer ações tomadas com base no conteúdo fornecido. O conteúdo não constitui aconselhamento financeiro, jurídico ou profissional, nem deve ser considerado uma recomendação ou endosso por parte da MEXC.

Você também pode gostar

Seleção convocada por Ancelotti vale 922 milhões de euros

Seleção convocada por Ancelotti vale 922 milhões de euros

Vini Jr. é o atleta mais valioso do grupo que vai disputar os amistosos contra as equipes da Croácia e da França
Compartilhar
Poder3602026/03/18 23:33
Adam Wainwright volta ao montículo para honrar Darryl Kile

Adam Wainwright volta ao montículo para honrar Darryl Kile

A publicação "Adam Wainwright Volta ao Montículo para Homenagear Darryl Kile" apareceu no BitcoinEthereumNews.com. Adam Wainwright do St. Louis Cardinals no banco de reservas durante a segunda entrada contra o Miami Marlins no Busch Stadium em 18 de julho de 2023 em St. Louis, Missouri. (Foto de Brandon Sloter/Image Of Sport/Getty Images) Getty Images Adam Wainwright, veterano do St. Louis Cardinals, é um cara bastante descontraído, e não é improvável que converse com você sobre tradições do beisebol e churrasco, ou até mesmo compartilhe uma piada. Essa personalidade apareceu na semana passada durante nossa chamada no Zoom quando mencionei pela primeira vez que sou fã do Chicago Cubs. Ele respondeu à menção da minha base de fãs: "Até agora, não acho que esta entrevista esteja indo muito bem." No entanto, Wainwright retornará ao Busch Stadium em 19 de setembro com um tom mais sério, desta vez para homenagear outro ex-Cardinal e amigo, o falecido Darryl Kile. Wainwright subirá ao montículo não como arremessador titular, mas para lançar o primeiro arremesso cerimonial do jogo. Juntando-se a ele no montículo estará a filha de Kile, Sierra, enquanto os dois ajudam a lançar um novo programa chamado Playing with Heart. "O falecimento de Darryl foi um lembrete de que as doenças cardíacas não discriminam, mesmo contra atletas de elite em excelente forma física", disse Wainwright. "Este programa é sobre ajudar as pessoas a reconhecerem os riscos, tomarem medidas e, esperançosamente, salvarem vidas." Wainwright, que jogou pelo St. Louis Cardinals como arremessador titular de 2005 a 2023, visa unir a essência da tradição do beisebol com uma mensagem crucial sobre saúde cardíaca. Kile, um querido arremessador dos Cardinals, faleceu tragicamente em 2002 aos 33 anos como resultado de doença cardíaca precoce. Sua morte súbita abalou o mundo do beisebol e deixou um impacto duradouro em companheiros de equipe, fãs e especialmente sua família. Agora, mais de duas décadas depois, Sierra Kile está se apresentando com Wainwright para...
Compartilhar
BitcoinEthereumNews2025/09/18 02:08
XP projeta cenário construtivo para fundos imobiliários em 2026

XP projeta cenário construtivo para fundos imobiliários em 2026

Os fundos imobiliários devem atravessar 2026 em terreno mais favorável, impulsionados por uma combinação de inflação em desaceleração e perspectiva de cortes gr
Compartilhar
Suno2026/03/18 22:55