O Autofisio 500, durante fase de testes Bruno Zulian/UCS No dia 13 de fevereiro de 2026, chegou ao fim a missão de cinco anos para criar o Autofisio 500, u O Autofisio 500, durante fase de testes Bruno Zulian/UCS No dia 13 de fevereiro de 2026, chegou ao fim a missão de cinco anos para criar o Autofisio 500, u

Cientistas desenvolvem equipamento inédito para reabilitação de pacientes em estado crítico

2026/03/17 17:01
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O Autofisio 500, durante fase de testes — Foto: Bruno Zulian/UCS O Autofisio 500, durante fase de testes — Foto: Bruno Zulian/UCS

No dia 13 de fevereiro de 2026, chegou ao fim a missão de cinco anos para criar o Autofisio 500, um equipamento de cinesioterapia desenvolvido por uma equipe de cientistas da Universidade de Caxias do Sul, em parceria com a consultoria empresarial Zextec. O aparelho tem como objetivo principal auxiliar na recuperação dos movimentos dos membros inferiores de pacientes em estado grave, como aqueles internados na UTI.

Como esses pacientes não podem receber visitas regulares de fisioterapeutas, muitas vezes ficam sem o atendimento adequado para manter os músculos ativos. A proposta do Autofisio é reproduzir o movimento das pernas que seria realizado por um profissional, tornando a recuperação mais rápida e eficiente. “É um equipamento com conceito e propósito inéditos. Ao mesmo tempo, queríamos que tivesse um custo acessível, para que pudesse ser aproveitado integralmente no ambiente SUS”, diz Matheus Parmegiani Jahn, coordenador de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação da Agência de Inovação da UCS.

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“Um dos desafios no atendimento em hospitais e UTIs é o atendimento de pacientes críticos, imóveis e sob ventilação assistida”, diz Alexandre Avino, diretor médico do Hospital Geral de Caxias do Sul e coordenador do projeto. “A mobilização destes pacientes, seja para a prevenção das lesões por pressão ou para o tratamento fisioterápico é complexa, envolve esforço físico e enfrenta, eventualmente, escassez de profissionais. Por isso, pensamos em um equipamento de aplicação em fisioterapia que proporcionasse movimentação passiva dos membros inferiores. A automatização reduz o esforço dos profissionais, que podem também se dedicar aos membros superiores, aumenta o rendimento das sessões e torna esta etapa mais efetiva.”

Avino lembra que há outras possíveis aplicações para a invenção, que pode ser usada por pacientes em enfermarias, acamados em recuperação pós-operatória e com condições como paraplegia e tetraplegia. “Esse uso pode acontecer em nível hospitalar, ambulatorial, em clínicas, na recuperação de atletas e até mesmo em casa”, completa.

Da esq. para a dir.: Alexandre Vieceli, professor e pesquisador da UCS; Fernanda Trubian, fisioterapeuta; Katiúcia Corlatti, professora e pesquisadora da UCS; Alexandre Avino, coordenador do projeto; e Matheus Jahn, da Agência de Inovação da UCS — Foto: Bruno Zulian/UCS Da esq. para a dir.: Alexandre Vieceli, professor e pesquisador da UCS; Fernanda Trubian, fisioterapeuta; Katiúcia Corlatti, professora e pesquisadora da UCS; Alexandre Avino, coordenador do projeto; e Matheus Jahn, da Agência de Inovação da UCS — Foto: Bruno Zulian/UCS

O funcionamento é simples: o equipamento é posicionado sob a perna do paciente e fixado com duas cintas de velcro. Esse apoio é conectado a um sistema motor que realiza um movimento orbital, próximo do que seria uma caminhada ou pedalada. “O movimento exercita as articulações do tornozelo, joelho e quadril, atuando em favor da preservação dessas estruturas e reduzindo as complicações eventuais secundárias à imobilidade”, diz o coordenador do projeto.

Com o auxílio de um financiamento de R$ 3 milhões da Finep, foram produzidas até agora 10 unidades. Antes de serem disponibilizados para hospitais, os aparelhos passarão pela validação do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação. Depois, novas unidades poderão ser produzidas. “Estamos negociando parcerias com investidores e empresas que possam potencializar a produção e distribuição dos equipamentos, tanto para uso hospitalar como para uso doméstico”, diz Jahn. Ainda não há uma previsão precisa do valor final de cada equipamento, mas a estimativa é de que custe entre R$ 15.000 e R$ 20.000.

O Autofisio 500 já foi testado em pacientes com sequelas neurológicas, patologias ou algum tipo de lesão cerebral no Hospital Geral. “Os resultados têm mostrado grande potencial em pessoas com diferentes tipos de imobilidades”, diz o diretor médico do Hospital Geral. “Hoje, muitos pacientes com lesão cerebral são idosos que ficam sozinhos em casa”, diz a fisioterapeuta Fernanda Trubián, que faz doutorado e atuou como bolsista no projeto. “Seria muito importante que eles tivessem o auxílio do aparelho. Espero que futuramente ele possa chegar à casa das pessoas”.

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