A Oncoclínicas (ONCO3) informou que firmou um termo de compromisso não vinculante com a Porto (PSSA3) para negociar a criação de uma nova empresa focada em clínicas oncológicas em um investimento de R$ 1 bilhão.
A operação prevê um aporte inicial de R$ 500 milhões da seguradora e, posteriormente, mais R$ 500 milhões em emissão de debêntures conversíveis e reorganização de parte dos ativos da companhia.
Segundo fato relevante enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) neste domingo (15), as partes terão um período de exclusividade de 30 dias para negociar os termos finais do acordo.
No mercado, a notícia repercutiu nas ações da empresa. Os papéis da Oncoclínicas (ONCO3) chegaram a subir cerca de 12% na máxima do pregão desta segunda-feira (16), superando R$ 2 por ação. Por volta de 14h, o avanço era mais moderado, de cerca de 2,70%.
Já os papéis da Porto registram a maior queda do Ibovespa nesta segunda, desvalorizando 2,37%, negociados a R$ 48,14.
De acordo com a companhia, a operação prevê a criação de uma nova sociedade — chamada provisoriamente de NewCo — que concentrará os ativos e operações das clínicas oncológicas atualmente controladas pela Oncoclínicas.
Atividades que não fazem parte desse segmento permanecerão na estrutura atual da empresa, incluindo operações hospitalares.
Nesse modelo, a Oncoclínicas transferirá o negócio de clínicas para a nova empresa, recebendo ações ordinárias e preferenciais da sociedade. No total, a Porto deverá deter ao menos 30% do capital social da NewCo.
O contrato também prevê mecanismos de ajuste de participação. Dependendo do desempenho da empresa, pode haver earn-out, mecanismo que aumenta a participação da Oncoclínicas se metas forem cumpridas, ou earn-in, que amplia a participação da Porto.
Outro ponto da operação envolve a emissão de debêntures voluntariamente conversíveis em ações da nova empresa.
Esses títulos de dívida serão emitidos pela NewCo e poderão ser subscritos pela Porto no valor total de R$ 500 milhões, com vencimento em 48 meses e remuneração equivalente a 110% do CDI.
A Oncoclínicas também poderá participar da subscrição desses títulos.
Segundo a companhia, a conversão em ações será opcional e poderá ocorrer a partir do terceiro ano, com base no valor de mercado da empresa no momento da conversão.
Para analistas do Citi, a operação tende a ser positiva para a Oncoclínicas. Na avaliação do banco, a parceria com a Porto pode melhorar a flexibilidade financeira da companhia e trazer um sócio estratégico para o negócio de clínicas.
Por outro lado, os analistas avaliam que o movimento pode gerar preocupações entre investidores da Porto, já que adiciona complexidade à estrutura da seguradora e pode ser interpretado como mudança na estratégia de alocação de capital.
Na visão do Bradesco BBI, no entanto, o negócio tem efeito misto, mas tende a ser visto de forma negativa pelo mercado. Para eles, a NewCo tem valor estimado de R$ 1,6 bilhão, representando um desconto em relação ao valor da Oncoclínicas e do considerado justo pelos analistas.
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