Existem diversas eleições estaduais com um tabuleiro de xadrez complicado – e há o caso de Minas Gerais. Diante de um estado quebrado e com pouca margem para inExistem diversas eleições estaduais com um tabuleiro de xadrez complicado – e há o caso de Minas Gerais. Diante de um estado quebrado e com pouca margem para in

Na eleição de Minas, o estado parece ser a última preocupação

2026/03/15 11:10
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Existem diversas eleições estaduais com um tabuleiro de xadrez complicado – e há o caso de Minas Gerais.

Diante de um estado quebrado e com pouca margem para investimentos, a corrida ao governo do segundo maior colégio eleitoral do País se tornou uma mera questão de palanque para vários dos grandes partidos brasileiros.

Caciques da direita e da esquerda estão buscando acordos para lançar nomes que possam fortalecer seus candidatos ao Congresso e à Presidência, ainda que estes não estejam preparados ou (em alguns casos) nem queiram muito concorrer ao Palácio da Liberdade.

Enquanto isso, as poucas lideranças locais que resistiram ao Mensalão e à Lava Jato – entre elas os ex-aliados Gabriel Azevedo (MDB) e Mateus Simões (PSD) – tentam provar que o estado ainda é capaz de produzir candidatos ao Executivo com articulação e plataforma próprias.

“Nos últimos anos, tudo que se elegeu em Minas foi sob a bandeira da antipolítica, o que favoreceu o crescimento de outsiders focados em pautas individuais, e não de grupos articulados com experiência no Executivo,” Zuza Nacif, um marqueteiro que atua no estado há duas décadas e já trabalhou para Aécio e Lula, disse ao Brazil Journal.

O cenário eleitoral de Minas sempre desperta interesse nacional: o estado é um dos grandes celeiros políticos do País e combina características das regiões Sudeste e Nordeste, funcionando como um termômetro do voto nacional.

Nos últimos anos, no entanto, a política local vem sendo engolida pela agenda nacional, e a eleição ao governo do estado, antes disputada por nomes como Tancredo Neves, Israel Pinheiro e Juscelino Kubitschek, parece fadada a ser uma vitrine para candidatos a outros cargos.

Uma das poucas lideranças produzidas pela direita mineira no último ciclo eleitoral, Nikolas Ferreira (PL) era o favorito dos Bolsonaro e de Valdemar Costa Neto para concorrer ao governo de Minas, mas o deputado não se dá muito bem com o clã e quer continuar na Câmara – o que deixou Flávio sem um candidato óbvio em Minas.

O nome de Flávio Roscoe, presidente da Fiemg, é estudado pelo partido para encabeçar ou compor alguma chapa.

Já Cleitinho Azevedo (Republicanos), o outro parlamentar de direita que ascendeu meteoricamente no estado, acabou cedendo ao pedido de Marcos Pereira e anunciou sua pré-candidatura ao governo, mesmo tendo mandato no Senado até 2030 e zero experiência no Executivo.

Pudera, um levantamento estimulado da Paraná Pesquisas divulgado nesta semana mostra Cleitinho com 45,6% das intenções de voto para governador de Minas, enquanto Rodrigo Pacheco (PSD) tem 18,4%, Mateus Simões soma 8,7%, e Gabriel Azevedo, 6,2%. 

Ainda que sua capacidade de gestão e seu projeto para o estado sejam questionados, Cleitinho é o claro herdeiro dos votos do bolsonarismo e pode ganhar um vice com credibilidade junto ao empresariado, como Roscoe, ou até se transferir para o PL, a depender da costura nacional.

Analistas também não descartam que Minas espelhe o cenário da eleição de Belo Horizonte em 2024, com segundo turno deixando a esquerda de fora e se tornando um embate entre a direita tradicional e o bolsonarismo (Fuad Noman derrotou o bolsonarista Bruno Engler).

É nisto que apostam Mateus Simões e Gabriel Azevedo.

Crias dos anos de ouro do PSDB mineiro, sob a liderança de Aécio Neves e Antonio Anastasia, a dupla militou junta e, anos mais tarde, chegou a fazer uma dobradinha pautada em cortes de gastos na Câmara Municipal. 

Separaram-se quando o bolsonarismo tornou-se a principal força da direita: o primeiro aderiu ao discurso do ex-presidente, o segundo o renegou.

Vice de Zema, que é pré-candidato à presidência e deve se descompatibilizar, Mateus terá a máquina na mão a partir do mês que vem – e torce para que não seja tarde demais para se viabilizar. 

O político, que saiu do Novo para o PSD de Gilberto Kassab, não tem engrenado nas pesquisas; a popularidade de Zema já não é forte o bastante para eleger um sucessor com facilidade; e Flávio não parece aprovar o seu nome.

“Me puxa para baixo,” o 01 escreveu sobre Mateus em um papel obtido pela Folha de S. Paulo que simulava cenários estaduais.

Com 142 prefeituras no estado e contando, o PSD poderia dar a capilaridade de que seu candidato precisa, só que Kassab parece mais interessado em eleger deputados para a Câmara, o que pode resultar em algum acordo que tire Mateus da disputa, disse um consultor político.

Outro que pode rifar Mateus é o próprio Zema, abrindo mão de lançar sucessor em um possível acordo para ser vice de Flávio Bolsonaro. 

Gabriel, por sua vez, aparece como pré-candidato de um fragmentado MDB e tenta costurar acordos com o PSDB de Aécio – cuja grande preocupação no momento é alcançar a cláusula de barreira – e com a federação União Progressista (União Brasil + Progressistas).

O problema para ele é que Rodrigo Pacheco, o favorito de Lula para disputar o pleito pelo campo da centro-esquerda, precisará de um novo partido caso aceite concorrer, já que está no PSD atualmente – e suas opções mais viáveis no momento são justamente o MDB e o União.

PL e PSD também querem seduzir o União para reduzir as opções de Pacheco e Lula.

Gabriel, que já está rodando o estado em pré-campanha, tem dito que Pacheco, seu amigo, não quer concorrer ao governo – e que não toparia ser vice dele porque isso esconderia sua força de debate.

No entanto, gente próxima ao governo afirma que não há outro nome que não Pacheco “para desempenhar a missão” de conduzir o palanque de Lula em Minas, e que o União Progressista parece ser a sigla com mais estrutura para abrigá-lo no momento.

Um analista ouvido pelo Brazil Journal enxerga poucas chances de vitória para Pacheco, mas entende que um acordo com Lula visando uma indicação futura ao STF pode ser vantajoso para ele.

A principal liderança criada pelo PT no estado nos últimos anos – a prefeita de Contagem, Marília Campos – está escalada para concorrer ao Senado, já que o partido precisa desesperadamente de algumas vitórias em meio ao que se estima será uma onda bolsonarista.

A eleição para o Senado ganhou um protagonismo inédito este ano por ser decisiva para eventuais processos de impeachment de ministros do STF.

Alexandre Silveira (PSD), o atual ministro de Minas e Energia, é um que pode “ir para o sacrifício” na eleição estadual caso Pacheco consiga dizer não a Lula. 

Se a eleição fosse hoje o cenário seria esse, mas tudo indica que a indefinição se estenderá durante os próximos meses, em linha com as costuras nacionais em Brasília.

Mesmo Nikolas, o parlamentar mineiro mais influente no momento, tende a ser um eco do que Valdemar e Flávio decidirem nacionalmente.

“O Nikolas atua de forma individual, mas se começa a se omitir na articulação do seu campo político, acaba isolado,” disse um consultor. 

As investigações sobre o Banco Master, que têm potencial de fazer um estrago enorme nas urnas, também devem complicar as negociações.

Ou seja, 4 de outubro ainda parece muito distante para os mineiros – e, como diz um velho ditado dos próprios, “atrás de morro tem morro”.

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