O Azzas 2154 encerrou 2025 com um crescimento de 30% no lucro líquido e geração de caixa de R$ 1,2 bilhão. A maior da geração de caixa parte foi alcançada no quarto trimestre, com R$ 838,1 milhões, o maior volume desde a criação da companhia.
A maior empresa de moda de calçados e vestuário da América Latina registrou faturamento de R$ 14,7 bilhões, um crescimento de 4,3% sobre os R$ 14,1 bilhões reportados em 2024. O lucro líquido foi de R$ 770,7 milhões, ante R$ 590,7 milhões do ano anterior.
O Ebitda chegou a R$ 1,94 bilhão (alta de 5,8%), com uma margem de 16,4%, crescimento de 60 pontos-base no ano, principalmente com a redução no volume de despesas do grupo. Somente no quarto trimestre, a diminuição foi de 5,3%.
Com quatro unidades de negócios, com características bem diferentes e crescimentos representativos, a companhia foca, agora, em ampliar a estrutura de cada uma delas, a exemplo do novo redesenho gerencial e do próprio modelo de negócios adotado na Hering, por exemplo.
“Com diferentes verticais de negócios e um grupo muito grande, o Azzas vai se aprofundar cada vez mais na adequação gerencial destas unidades, para poder utilizar melhor cada uma delas”, diz Alexandre Birman, CEO do Azzas 2154, em entrevista ao NeoFeed. “O consolidado é a somatória destas partes.”
Uma das principais alavancas de crescimento do Azzas foi a marca Farm Rio, que encerrou o ano com receita de R$ 3,3 bilhões, o que corresponde a quase 25% do faturamento total do grupo.
A marca integra a divisão fashion women do grupo, que alcançou R$ 5,6 bilhões de receita e tem no portfólio a Animale, Maria Filó, Cris Barros, entre outras. O segmento foi o que mais cresceu em 2025, com alta de 18,7% sobre o ano anterior.
Uma grande fatia deste resultado está no desempenho internacional da Farm Rio, hoje presente nos Estados Unidos, na França, Inglaterra e Oriente Médio. Em 2025, a receita vinda do exterior cresceu 21%, e chegou a R$ 1,4 bilhão, consolidando-a como uma marca lifestyle global da empresa.
Como próximo passo, a tendência da companhia é de dar mais um salto internacional e conquistar novos mercados no exterior para a marca de moda, muito marcada por exibir produtos que retratam características do Brasil.
“Ela nos surpreendeu bastante em 2025. E agora estamos iniciando os estudos para levar a Farm para o mercado asiático. Contratamos uma consultoria que vai nos ajudar a entender este mercado. Muitas marcas internacionais têm um terço de sua receita na Ásia. O nosso hoje é zero e queremos capturar isso”, afirma Birman.
Com isso, segundo o empresário, ela já entra no radar de um futuro processo de independência, dado o rápido volume de crescimento, e para que, na prática, seja uma empresa separada do grupo. “A Farm está começando a ficar muito grande, bem acima da média do grupo.”
A ideia, segundo Birman, é ter o Azzas como uma holding de negócios da moda, o que pode ajudar na alocação de capital para acelerar o processo de expansão da Farm Rio.
“Ela passa a ter uma atenção maior, do ponto de vista do conselho, com posicionamentos mais profundos sobre a necessidade de mais investimentos para acelerar ainda mais este crescimento”, diz o empresário.
O mesmo raciocínio deve ser adotado para a unidade fashion men do conglomerado, que tem a marca Reserva como principal alavanca. O segmento alcançou receita de R$ 1,94 bilhão em 2025, com alta de 7,4% no período, o segundo maior crescimento entre as verticais da empresa.
“Foi um ano de consolidação na profissionalização da gestão. Tínhamos o plano de crescer na venda full price e a redução na venda de produtos de preços de entrada, com margens mais baixas. E conseguimos”, afirma.
Segundo Birman, o market share do segmento vestuário chegou a 15%, o que tem feito com que a companhia também pense em segregar a unidade, como uma empresa separada, justamente por ser um business mais replicável, na visão do empresário.
No caso da Hering, que integra a unidade basic da empresa, a mudança gerencial, a partir da nomeação do novo CEO, David Pynthon, em novembro de 2025, no lugar de Thiago Hering, e a mudança de postura da marca, começa a dar resultado prático.
Além de novo comando, a marca também deixou o discurso de ser premium, para voltar às suas origens, como um produto básico para o consumidor. No balanço, o segmento cresceu 0,3%, com R$ 2,6 bilhões em 2025.
“Essas mudanças foram bem executadas e já tivemos ganhos qualitativos relevantes na Hering. A principal delas foi a capacidade de mudar o ciclo de negócios, de primeiro vendermos para depois colocar em produção. Isso ajuda a reduzir estoques”, afirma Birman.
Os bons indicadores
Essa diminuição de estoque ajudou a alcançar o resultado financeiro e, principalmente, a geração de caixa, que deve surpreender o mercado. O resultado do quarto trimestre é quatro vezes maior do que o registro no mesmo período do ano anterior.
No ano, a empresa melhorou o ciclo financeiro de capital de giro em 13 dias, além da redução do volume de estoque em nove dias. Isso contribuiu de forma significativa para gerar caixa. Outro ponto foi a redução do volume de 30% em capex, com adoção de critérios mais seletivos.
“Nossa receita de sell-out veio muito boa, o que mostra que o desejo de marca continua alta. No sell-in, que é para franqueados, diminuiu, porque tomamos a decisão de não adiantar coleções. Isso garante nossa saúde financeira e mostra nossa responsabilidade”, afirma Eric Alencar, CFO do Azzas.
A única queda registrada no balanço foi na linha shoes & bags, onde estão as marcas Arezzo, Schutz, Alexandre Birman, Vans, entre outras. A unidade alcançou receita de R$ 4,5 bilhões, redução de 1,2%.
Neste caso, a queda está relacionada a uma redução global no consumo dos tênis da marca Vans. O Brasil acabou sentindo esta mesma tendência. Levando em consideração somente o segmento de sapatos femininos, o cenário é de alta.
“São realidades diferentes de mercado. E a Arezzo cresce. Tirando a Vans, a essência do nosso business, que são as demais marcas de sapatos femininos, o resultado é bem positivo e interessante”, explica Birman.
Para o empresário, a turbulência provocada no meio do ano passado, por um possível desentendimento dele com Roberto Jatahy, outro sócio do Azzas, é página virada e algo superado na companhia.
No acumulado de 12 meses, as ações do grupo Azzas na B3 registram valorização de 5,7%. A companhia está avaliada em R$ 5,8 bilhões.

