Os juros brasileiros acabam de fazer novas vítimas, dessa vez, no andar de cima da economia. Raízen e Pão de Açúcar expõem ao mundo a verdadeira identidade da eOs juros brasileiros acabam de fazer novas vítimas, dessa vez, no andar de cima da economia. Raízen e Pão de Açúcar expõem ao mundo a verdadeira identidade da e

Raízen e Pão de Açúcar: Serial killer dos juros faz vítimas no andar de cima

2026/03/11 23:48
Leu 4 min
Para enviar feedbacks ou expressar preocupações a respeito deste conteúdo, contate-nos em crypto.news@mexc.com

Os juros brasileiros acabam de fazer novas vítimas, dessa vez, no andar de cima da economia. Raízen e Pão de Açúcar expõem ao mundo a verdadeira identidade da economia nacional: empresas com água no pescoço, esforçando-se para dar mais algumas braçadas enquanto aguardam uma queda real no preço do dinheiro por aqui.

O Brasil ocupa hoje o segundo lugar entre os países com os maiores juros reais do mundo — a taxa básica (Selic) descontada da inflação, que revela o verdadeiro custo do dinheiro. Esse indicador permanece acima de 7% ao ano desde janeiro de 2025 e hoje ronda os 9,4%. Ao longo desse período, já vem fazendo vítimas em série, principalmente entre pequenas e médias empresas.

Seu investimento está REALMENTE protegido pelo FGC? Entenda de uma vez por todas aqui

Em 2025, o país atingiu o infeliz recorde de 5.680 empresas em recuperação judicial, número 24,3% superior ao observado em 2024, segundo levantamento da consultoria RGF. Superou inclusive o pico observado em 2016, quando a crise econômica era evidente para todos.

O fenômeno espalhou-se por praticamente todos os setores — comércio, indústria, serviços e até o agronegócio, que acaba de bater também seu próprio recorde de empresas em recuperação. Durante muito tempo, porém, esse movimento permaneceu relativamente invisível para o grande mercado. Aparecia nos balanços, mas raramente nas manchetes.

Esse tempo acabou. Agora começam a aparecer os pedidos de socorro das gigantes brasileiras. Nesta terça-feira (10/3), a notícia que dominou o mercado foi o pedido de recuperação extrajudicial da Companhia Brasileira de Distribuição, dona da rede Pão de Açúcar.

A companhia informou ter firmado acordo com credores para apresentar um plano de reorganização envolvendo cerca de R$ 4,5 bilhões em dívidas financeiras sem garantia, com adesão inicial de credores que representam aproximadamente 46% dos créditos sujeitos ao processo — percentual suficiente para dar início às negociações formais que deverão reestruturar o perfil de endividamento da empresa nos próximos meses.

Poucas horas depois, novo corre-corre entre as gigantes brasileiras. A Raízen, de energia e etanol, protocolou seu próprio pedido de recuperação extrajudicial para renegociar cerca de R$ 65 bilhões em dívidas financeiras, já contando com a adesão de credores que representam mais de 47% dos créditos envolvidos.

Não se trata de empresas periféricas ou de negócios de nicho. São companhias que ocupam posições centrais em setores estratégicos da economia brasileira e cuja reorganização financeira dificilmente passaria despercebida em qualquer mercado relevante do mundo.

O único lado bom, se for possível encontrar um, é que tanto Raízen quanto GPA, dona do Pão de Açúcar, são empresas com bom histórico de pagamentos, que parecem ter entrado com os pedidos para reestruturação antes da corda arrebentar, e não como último recurso. Também é bom lembrar que os casos não têm nada com as falcatruas do banco Master, que deixaram um rastro pegajoso no mercado.

Quando empresas desse porte passam a renegociar passivos bilionários, o fenômeno deixa de ser episódico e passa a ser sintomático. Não se trata mais de um problema isolado de gestão ou de uma dificuldade específica de balanço. O que aparece, com nitidez crescente, é o peso de um ambiente financeiro que há tempo suficiente vem pressionando o setor produtivo de forma contínua.

A taxa básica de juros a 15% ao ano cumpre sua função de conter a inflação. Mas também altera profundamente a matemática das empresas. Projetos deixam de fechar, investimentos são adiados e as dívidas passam a consumir parcelas cada vez maiores do caixa.

As grandes companhias conseguem absorver esse impacto por mais tempo. Têm acesso ao mercado de capitais, estruturas de financiamento mais sofisticadas e relações bancárias consolidadas. Mas quando o ciclo de juros altos se prolonga, a conta inevitavelmente aparece — e aparece também entre os gigantes.

Quando até eles começam a reorganizar seus balanços para sobreviver a esse ambiente, o recado que chega ao mercado internacional é que não se trata apenas da dificuldade de uma empresa ou de um setor.

É preocupante que isso aconteça justamente quando a Bolsa brasileira dispara, impulsionada pelo fluxo de investidores estrangeiros que fogem do ambiente mais incerto dos Estados Unidos. Enquanto o Ibovespa bate recordes, a economia real pede socorro.

O post Raízen e Pão de Açúcar: Serial killer dos juros faz vítimas no andar de cima apareceu primeiro em Monitor do Mercado.

Oportunidade de mercado
Logo de PortugalNationalTeam
Cotação PortugalNationalTeam (POR)
$0,6812
$0,6812$0,6812
-0,82%
USD
Gráfico de preço em tempo real de PortugalNationalTeam (POR)
Isenção de responsabilidade: Os artigos republicados neste site são provenientes de plataformas públicas e são fornecidos apenas para fins informativos. Eles não refletem necessariamente a opinião da MEXC. Todos os direitos permanecem com os autores originais. Se você acredita que algum conteúdo infringe direitos de terceiros, entre em contato pelo e-mail crypto.news@mexc.com para solicitar a remoção. A MEXC não oferece garantias quanto à precisão, integridade ou atualidade das informações e não se responsabiliza por quaisquer ações tomadas com base no conteúdo fornecido. O conteúdo não constitui aconselhamento financeiro, jurídico ou profissional, nem deve ser considerado uma recomendação ou endosso por parte da MEXC.