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Desemprego fica em 5,4% no trimestre até janeiro, com maior estabilidade no mercado de trabalho

2026/03/05 22:55
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A taxa de desemprego no Brasil ficou em 5,4% no trimestre móvel encerrado em janeiro, repetindo o resultado do trimestre móvel anterior, encerrado em outubro, mas abaixo da taxa registrada no ano anterior, apontam dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quinta-feira (5).

O indicador também representa a menor taxa para um trimestre encerrado em janeiro em toda a série histórica, iniciada em 2012.

De acordo com a coordenadora de pesquisas domiciliares do IBGE, Adriana Beringuy, os dados indicam estabilidade no mercado de trabalho no início do ano.

“Os resultados do trimestre encerrado em janeiro de 2026 apontam fundamentalmente para a estabilidade dos indicadores de ocupação. Embora a entrada do mês de janeiro tenda a reduzir o contingente de trabalhadores, muitas vezes devido à dispensa de temporários, os efeitos favoráveis de novembro e dezembro reduziram o impacto desse movimento sazonal”, afirmou.

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O economista Maykon Douglas avalia que, ao contrário do resultado no fim do ano passado, quando a Pnad apresentou uma composição mais ambígua, neste resultado do trimestre encerrado em janeiro a taxa de desemprego sustentou a mínima histórica, mesmo com a alta na taxa de participação da força de trabalho.

O especialista destaca que a massa salarial renovou a máxima histórica e voltou a acelerar na base anual, registrando o maior crescimento desde meados do ano passado.

Segundo ele, “é uma leitura mensal sólida e que reforça o dinamismo do mercado de trabalho doméstico. Isso deve implicar em uma postura cautelosa da política monetária, dada a influência do emprego e dos salários sobre a inflação mais sensível à demanda”.

Nos próximos meses, o economista prevê que a taxa de desemprego deva subir 0,1 p.p. ou 0,2 p.p., na série com ajuste sazonal, considerando que é comum que ela aumente no início de cada ano. No entanto, espera-se que termine o ano com uma média anual de 5,2%, abaixo da taxa observada em 2025.

Taxa de desemprego tem queda significativa em um ano

O trimestre encerrado em janeiro registrou o menor contingente de desemprego da série histórica da Pnad Contínua, somando 5,9 milhões de pessoas desocupadas.

O número revela estabilidade em relação ao trimestre anterior e uma queda relevante de 17,1% na comparação anual, o que representa 1,2 milhão de pessoas a menos sem trabalho no país.

Já a população com emprego chegou a 102,7 milhões de pessoas, também atingindo o maior nível da série comparável. O resultado é considerado estável no trimestre e aumentou 1,7% no ano, equivalente a 1,7 milhão de trabalhadores a mais.

O nível de ocupação, que mede o percentual de pessoas ocupadas na população em idade de trabalhar, foi de 58,7%, com estabilidade frente ao trimestre anterior (58,8%) e aumento de 0,5 ponto percentual na comparação anual (58,2%).

Renda média e massa salarial atingem recorde

O rendimento real habitual de todos os trabalhos (já descontada a inflação) foi estimado em R$ 3.652, considerado marca recorde para a Pnad.

Segundo o IBGE, o rendimento subiu 2,8% no trimestre e 5,4% na comparação anual.

A massa de rendimento real habitual, que representa a soma da renda de todos os trabalhadores, também atingiu recorde, chegando a R$ 370,3 bilhões. O valor cresceu 2,9% no trimestre (mais R$ 10,5 bilhões) e 7,3% em relação ao ano anterior (mais R$ 25,1 bilhões).

Subutilização e desalento recuam ano a ano

A taxa de subutilização da força de trabalho ficou em 13,8%. O indicador considera pessoas desocupadas, trabalhadores subocupados por insuficiência de horas e aqueles que fazem parte da força de trabalho potencial.

O resultado foi considerado estável na comparação trimestral e representa queda de 1,8 ponto percentual em relação ao ano anterior, quando estava em 15,5%.

A população desalentada, formada por pessoas que desistiram de procurar trabalho, somou 2,7 milhões. O número ficou estável no trimestre e caiu 15,2% no ano, o que representa 476 mil pessoas a menos nessa condição.

O percentual de desalentados foi de 2,4%, com estabilidade no trimestre e queda de 0,4 ponto percentual na comparação anual (2,8%).

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Informalidade cai para o menor nível desde 2020

A taxa de informalidade, que mede a proporção de trabalhadores informais na população ocupada, foi de 37,5%, equivalente a 38,5 milhões de pessoas, no menor nível desde julho de 2020.

No trimestre móvel anterior, o indicador estava em 37,8%, e no mesmo trimestre de 2024 era de 38,4%.

Segundo Adriana Beringuy, a redução da informalidade está ligada à mudança na composição do emprego.

“A taxa de informalidade vem em queda desde 2022, com aceleração dessa trajetória a partir de 2023. Especificamente no atual trimestre, a retração da taxa esteve associada à tendência de queda do emprego sem carteira no setor privado e de expansão da cobertura de registro no CNPJ dos trabalhadores por conta própria”, explicou.

Emprego formal e trabalho por conta própria

O número de empregados no setor privado com carteira assinada, excluindo trabalhadores domésticos, foi de 39,4 milhões. O resultado ficou estável no trimestre e aumentou 2,1% no ano, o que representa 800 mil pessoas a mais.

O total de empregados sem carteira no setor privado foi de 13,4 milhões, com estabilidade tanto no trimestre quanto na comparação anual.

O contingente de trabalhadores por conta própria chegou a 26,2 milhões, com estabilidade no trimestre e crescimento de 3,7% no ano, equivalente a 927 mil pessoas a mais.

Entre os trabalhadores domésticos, o total foi de 5,5 milhões, com estabilidade no trimestre e queda de 4,5% na comparação anual, o que representa 257 mil pessoas a menos.

Setores com maior variação no emprego

Na comparação com o trimestre anterior, houve aumento no número de ocupados em dois grupamentos de atividade:

  • Informação, comunicação e atividades financeiras, imobiliárias, profissionais e administrativas: com alta de 2,8% (mais 365 mil pessoas)
  • Outros serviços: com crescimento de 3,5% (mais 185 mil pessoas).

Já a indústria geral registrou queda de 2,3%, o que representa 305 mil trabalhadores a menos.

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Na comparação anual, cresceram os grupamentos de informação, comunicação e atividades financeiras, imobiliárias, profissionais e administrativas, com alta de 4,4% (mais 561 mil pessoas), e de administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais, com crescimento de 6,2% (mais 1,1 milhão de pessoas).

Por outro lado, houve redução no grupamento de serviços domésticos, com queda de 4,2%, equivalente a 243 mil pessoas a menos ocupadas nesse segmento.

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