O Itaú Unibanco encerrou o quarto trimestre e o ano de 2025 na mesma toada dos seus últimos balanços: sem grandes surpresas. O que, no caso do maior banco privado do País, é, mais uma vez, uma boa notícia.

No consolidado de 2025, o banco reportou um lucro líquido recorrente de R$ 46,8 bilhões, o que representou um salto de 13,1% e o maior resultado da história de um banco brasileiro - recorde anterior era do próprio Itaú: R$ R$ 41,8 bilhões, em 2024. No ano passado, o Itaú lucrou R$ 128,2 milhões por dia.

Entre outubro e dezembro, o lucro líquido recorrente foi de R$ 12,3 bilhões, alta de 3,7% sobre igual período de 2024 e levemente acima das projeções de analistas, cujo consenso apontava para R$ 12,2 bilhões.

Nessa trilha, o retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) anual ficou em 23,4%, uma melhora de 1,2 ponto percentual. Enquanto o trimestral avançou 1,1 ponto percentual, para 24,4%.

“Entregamos resultados consistentes em 2025 com disciplina de risco, solidez e governança robusta”, afirmou, em nota, Milton Maluhy Filho, CEO do Itaú Unibanco. “Entramos em 2026 preparados para crescer com responsabilidade e seguir criando valor de forma sustentável.”

Em outros números do balanço, a carteira de crédito somou R$ 1,49 trilhão, um crescimento de 6%, em base anual, e de 6,3%, no trimestre. Já a inadimplência acima de 90 dias foi de 1,9%, mesmo patamar, na comparação trimestral, e uma queda de 0,1 ponto percentual em base anual.

No segmento de pessoas físicas, a carteira registrou um crescimento de 6,6% em 2025. Nessa linha, o banco destacou os avanços de 12,8% do crédito imobiliário, bem como as altas de 8% e 2,2%, respectivamente, em cartão de crédito e crédito pessoal.

As despesas de perda esperada com crédito (PDD), por sua vez, ficaram em R$ 10,03 bilhões, entre outubro e dezembro, uma expansão de 4,9% sobre um ano antes. Enquanto na comparação anual, essa linha cresceu 4,7%, para R$ 38,9 bilhões.

Em outros indicadores, o índice de eficiência – que mede o custo de um banco para gerar receita – o Itaú reportou o patamar de 39,5%, contra 38,9%, no quarto trimestre de 2024, e de 38,8%, no consolidado do exercício anterior.

Já as receitas com serviços e seguros tiveram uma expansão de 6,3% em 2025, na esteira do crescimento das receitas de administração de recursos, maiores ganhos com emissão de cartões e o aumento nas receitas de pagamentos e recebimentos.

As despesas não decorrentes de juros foram de R$ 66,8 bilhões no ano, o equivalente a uma alta de 7,5%. Segundo o banco, esse crescimento refletiu, principalmente, os investimentos em tecnologia – pessoal e infraestrutura, além do efeito de negociação do acordo coletivo de trabalho.

O Itaú divulgou ainda seu guidance para 2026. Na carteira de crédito total, a projeção é de um crescimento entre 5,5% e 9,5%, enquanto na carteira do Brasil, o range vai de 6,5% e 10,5%. O custo do crédito, por sua vez, está na faixa de R$ 38,5 bilhões e R$ 43,5 bilhões.

Para a margem financeira de clientes, o banco estima uma expansão entre 5% e 9%, a mesma faixa de crescimento projetada para a receita de prestação de serviços e resultados de seguro. Já no que diz respeito às despesas não recorrentes de juros, o range gira entre 1,5% e 5,5%.

As ações preferenciais do Itaú fecharam o dia na B3 com queda de 3,29%, cotadas a R$ 44,62. O banco está avaliado em R$ 492 bilhões.

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