Influenciadores do nicho de finanças afirmaram ter sido procurados, em nome do BRB (Banco de Brasília), para defender publicamente a atuação da instituição em meio ao caso envolvendo o Banco Master, liquidado em 18 de novembro por suspeita de fraudes em meio à tentativa de venda ao BRB. Os relatos foram feitos na 4ª feira (28.jan) e na 5ª feira (29.jan).
Entre os expositores estão Nathalia Arcuri, fundadora do canal Me Poupe!, Renata Barreto, sócia do escritório Faz Capital, Renato Breia, cofundador da Nord Investimentos, e Murilo Duarte, conhecido como “Favelado Investidor”. Todos afirmaram ter recusado o convite e divulgaram o caso nas redes sociais.
Segundo os influenciadores, os contatos foram feitos por meio de mensagens de WhatsApp e e-mails enviados na 3ª feira (27.jan). Eles receberam um pedido de orçamento para participar de um almoço nos dias 10 ou 24 de fevereiro, a convite do presidente do BRB, Nelson Antonio de Souza. A Agência Flap comandou a negociação.
De acordo com as mensagens, o encontro teria como objetivo apresentar “medidas de contenção de danos e ações de recuperação” adotadas pelo BRB, além de demonstrar a “transparência” da instituição para clientes e o mercado. A proposta previa remuneração contratual, em valores não divulgados. Além da participação no almoço, os influenciadores deveriam publicar relatos nos stories do Instagram e um vídeo em formato de reels sobre o encontro.
“Não estou a venda” disse Duarte, que soma mais de 580 mil seguidores no Instagram.
A jornalista Nathalia Arcuri afirmou que “Não era um almoço. Era uma ação de marketing” e que o convite previa “ouvir a versão oficial de um banco envolvido em escândalo financeiro, e em seguida produzir conteúdos pagos para divulgar essa narrativa”. Para ela, “transparência não se constrói em almoço roteirizado”, pois “reputação não se compra. Credibilidade não se aluga. Confiança não se negocia”.
Procurada pelo Poder360, a Agência Flap, especializada em ações de live marketing e promoções, afirmou que o contato com influenciadores teve como único objetivo uma cotação preliminar, prática comum no planejamento interno de eventos. Segundo a empresa, tratava-se de um estudo de viabilidade ainda não submetido nem aprovado pelo BRB.
A Flap declarou que não houve alinhamento prévio com o banco, nem intenção de compra de opinião, e que a iniciativa não teve relação com o caso envolvendo o Banco Master ou com o Banco Central.
O Poder360 também procurou o BRB para perguntar se gostaria de se manifestar a respeito do convite aos influenciadores. Não houve resposta até a publicação desta reportagem. O texto será atualizado caso uma manifestação seja enviada a este jornal digital.
Leia abaixo a íntegra do comunicado da Agência Flap:
“O contato mencionado teve como único objetivo uma cotação preliminar, prática usual no planejamento interno de eventos por agências. A FLAP, contratada pelo BRB como fornecedora de eventos, realizava um estudo de viabilidade de um projeto que ainda seria apresentado ao Banco, sem qualquer submissão ou aprovação prévia.
“Nesse contexto, foram solicitados orçamentos a influenciadores considerados adequados ao perfil do eventual evento, uma vez que a presença costuma ser remunerada. O objetivo era apenas garantir a participação para que pudessem conhecer a nova modelagem institucional do Banco e formar suas próprias conclusões.
“Ressaltamos que não houve alinhamento prévio com o BRB, nem intenção de compra de opinião, tampouco qualquer relação com o caso Master/BC”.
A PF apura um esquema de fraudes bilionárias contra o sistema financeiro orquestrado pelos sócios do Master e fundos de investimento. Desde dezembro, o caso está sob a relatoria do ministro Dias Toffoli, do STF (Supremo Tribunal Federal), por haver indícios de envolvimento de autoridade com prerrogativa de foro.
A liquidação extrajudicial do Master e do Will Bank –vinculado ao Master– representou o maior rombo bancário do país. Segundo as investigações, o esquema consistia na venda de títulos de renda fixa de alto rendimento, como CDBs (Certificados de Depósito Bancário), que serviam para financiar fundos de investimento, cujo banco era o único cotista. O MPF (Ministério Público Federal) afirma que o negócio se baseava em circular ativos sem riquezas, forjando artificialmente os resultados financeiros.
Esta reportagem foi escrita pela estagiária de jornalismo Ingrid Mognon, sob a supervisão do editor-assistente Lucas Fantinatti.


