André Ventura somou 48,81% dos votos para presidente, contra 21,9% de António José Seguro; Portugal terá 2º turno pela 1ª vez em 40 anosAndré Ventura somou 48,81% dos votos para presidente, contra 21,9% de António José Seguro; Portugal terá 2º turno pela 1ª vez em 40 anos

Candidato da direita radical lidera entre portugueses no Brasil

2026/01/19 15:13

Entre os portugueses que vivem no Brasil, o candidato mais votado nas eleições presidenciais de Portugal, realizadas no domingo (18.jan.2026), foi André Ventura. O presidente e fundador do Chega, partido da direita que tem entre suas pautas o controle da imigração, obteve 48,81% dos votos, contra 21,9% de António José Seguro, ex-dirigente do PS (Partido Socialista, centro-esquerda).

Em 3º lugar, ficou Luís Marques Mendes, apoiado pelo PSD (Partido Social-Democrata, centro-direita), legenda do primeiro-ministro, Luís Montenegro. Atrás dele, vieram: João Cotrim Figueiredo, eurodeputado da IL (Iniciativa Liberal, direita), com 7,45%; Henrique Gouveia e Melo (independente), com 4,03%; Catarina Martins, eurodeputada do BE (Bloco de Esquerda), com 2,38%.

Leia os resultados no Brasil, divulgados pela SGMAI (Secretaria Geral do Ministério da Administração Interna):

Ao todo, 10 consulados realizaram as eleições presidenciais no Brasil. Foram eles: Belém (PA), Belo Horizonte (MG), Brasília (DF), Curitiba (PR), Fortaleza (CE), Porto Alegre (RS), Recife (PE), Rio de Janeiro (RJ), São Paulo (SP) e Salvador (BA). Dos 303.670 inscritos, apenas 5.647 participaram do pleito.

RESULTADOS GLOBAIS

Pela 1ª vez em 40 anos, Portugal terá um 2º turno. Nos resultados gerais, segundo a apuração até as 6h no horário local (3h em Brasília), Seguro ficou à frente, com 31,11% dos votos, enquanto Ventura somou 23,52%.

Cotrim Figueiredo terminou a disputa em 3º, com 16%; Gouveia e Melo, com 12,32%; Marques Mendes, com 11,3%; Catarina, com 2,06%; António Filipe, membro do Comitê Geral do PCP (Partido Comunista Português), com 1,64%; e o músico Manuel João Vieira (independente), com 1,08%. Os outros 3 postulantes tiveram menos de 1% dos votos.

Em Portugal, o voto não é obrigatório. A taxa de abstenção foi de 47,65%. Brancos e nulos somaram 2,19%.

As eleições presidenciais foram marcadas por forte imprevisibilidade e fragmentação. Ao todo, 11 candidatos pleitearam a chefia de Estado, ocupada há 10 anos por Marcelo Rebelo de Sousa (independente).

Até a última semana, segundo a principal pesquisa, o 2º turno poderia ter Seguro, Ventura ou Cotrim. A campanha do candidato do PS, com apelos ao voto útil para evitar um 2º turno dominado pela direita, deu resultado e o colocou bem à frente do líder do Chega.

Diferentemente do Brasil, em Portugal o sistema de governo é semipresidencialista. Nesse modelo, o chefe de governo é o primeiro-ministro e o chefe de Estado é o presidente da República. Enquanto nas eleições legislativas, para formar a Assembleia da República, os eleitores votam em partidos, nas presidenciais, as candidaturas são individuais –mas podem, eventualmente, ser apoiadas pelas legendas.

Apesar disso, o presidente português não é um “rei da Inglaterra” e tem funções relevantes, como nomear o primeiro-ministro, promulgar ou vetar leis, convocar referendos, comandar as Forças Armadas e representar o Estado internacionalmente. Além dessas prerrogativas, pode, ainda, demitir o governo, dissolver a Assembleia da República e convocar novas eleições.

APOIO

Na noite de domingo (18.jan), Marques Mendes não declarou apoio a nenhum dos 2 candidatos, afirmando, contudo, ter “uma posição pessoal”. Tampouco Cotrim Figueiredo. O candidato da IL disse que seus eleitores deverão “votar livremente na 2ª volta”, que é como os portugueses chamam o 2º turno.

Gouveia e Melo, o 4º colocado, também não sinalizou aos seus eleitores apoio a nenhum dos 2 postulantes que foram para o 2º turno. Durante a campanha, porém, disse que Ventura representava um “perigo” para a democracia.

Já à esquerda, Seguro reuniu as declarações de apoio de António Filipe (PCP), Jorge Pinto (Livre) e de Catarina Martins. A eurodeputada do BE, no entanto, declarou que seus apoiantes devem votar no candidato do PS de “olhos bem abertos”. Para ela, os resultados mostram que a direita no país está “em reconfiguração e em trumpização”.


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