José Ricardo Rocha, diretor comercial, conta em entrevista à Bloomberg Línea a estratégia da empresa que pertence ao grupo global Alltech para crescer no país nJosé Ricardo Rocha, diretor comercial, conta em entrevista à Bloomberg Línea a estratégia da empresa que pertence ao grupo global Alltech para crescer no país n

Além do trato: Guabi cresce com foco no criador, sem deixar lojas de lado, diz diretor

2026/01/15 17:06

Os animais respondem por uma fatia relevante do agronegócio brasileiro, da produção de leite e carne à aquicultura e na atuação em atividades de recreação.

Em todos esses sistemas, a gestão do “trato”, que envolve alimentação, suplementação e volumosos como capim e feno, é um dos fatores centrais para o bem-estar, o desempenho e a longevidade dos animais.

No Brasil, esse mercado segue em expansão, impulsionado pela profissionalização da produção animal e pela crescente busca por eficiência.

Leia também: Cota chinesa para carne do Brasil vai reorganizar fluxos de produção, diz analista

É justamente nessa intersecção entre nutrição e tecnologia com atuação com diferentes espécies que a Guabi vem construindo sua estratégia de crescimento desde 1974 no país.

De lá pra cá, a empresa consolidou sua presença com alguns dos principais criadores do país e, desde 2019, passou a pertencer integralmente à Alltech, multinacional americana especializada justamente nessas soluções e presente em 128 países.

“Crescemos com foco no criador, sem deixar as lojas [varejistas] de lado”, disse à Bloomberg Línea o diretor comercial da Guabi, José Ricardo Rocha.

Segundo Rocha, a integração com o grupo Alltech permite à Guabi incorporar mais tecnologia às formulações.

O executivo está à frente da área comercial da Guabi há três anos. Antes disso, trabalhou na mesma área na ADM Nutrição Animal e na Cargill - e atuam em diversos segmentos, entre eles o de ração animal.

Na Guabi, Rocha explicou que a operação está estruturada com foco em quatro linhas de negócio: bovinos, aquacultura, equinos e varejo.

Esse equilíbrio entre frentes mais “maduras” e segmentos em expansão tem sido central na estratégia da companhia para sustentar o crescimento.

“Foi mais um ano muito positivo, com um bom balanceamento entre os negócios”, disse o executivo em referência ao ano de 2025.

O mercado de bovinos ainda responde como a principal linha em volume e faturamento da empresa.

Minas Gerais tem peso relevante nessa operação, por concentrar o maior rebanho leiteiro do país e por abrigar duas fábricas da empresa.

O portfólio inclui rações para bovinos de corte em diferentes fases: recria e terminação, em sistemas de semiconfinamento ou confinamento, além de suplementos minerais, considerados essenciais para o desempenho e aproveitamento nutricional dos animais.

A segunda frente de crescimento da companhia é a aquicultura, em especial a tilápia, e, em menor escala, o camarão.

No caso do crustáceo, a atuação da empresa está concentrada no Nordeste, que responde por praticamente toda a produção nacional.

Já no segmento de peixes, a Guabi opera fábricas em São Paulo, Minas Gerais e Goiás, próximas aos principais polos produtores.

Nos últimos anos, a empresa ampliou a capacidade de produção de rações iniciais extrusadas para peixes na unidade de Sales (SP) diante da maior demanda nos últimos anos.

“É um mercado que cresce quase a dois dígitos há mais de 15 anos e que dobrou de tamanho em pouco mais de uma década”, explica Rocha.

Cooperativas do Paraná, como Copacol e CVale, estão entre os principais clientes da empresa.

Equinos: do esporte ao passeio

O terceiro pilar estratégico da companhia é o mercado de equinos, em que a Guabi tem construído ao longo dos anos uma posição já consolidada, ainda que responda por uma fatia menor do faturamento em comparação às demais frentes.

As rações da marca atendem desde manutenção até esportes de alto desempenho e são amplamente utilizadas entre criadores de raças como Quarto de Milha e Mangalarga, comuns em modalidades como três tambores, vaquejada, laço, entre outros, além do uso para lazer e passeio.

“É a marca mais lembrada e a mais desejada do mercado de equinos, especialmente quando falamos do quarto de milha e do segmento do mangalarga marchador, que são os dois maiores mercados em termos de população equina”, disse.

Nessa frente, conta Rocha, a atuação da empresa é focada no Sudeste, especialmente em São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Goiás, que concentram a maior parte dos criadores, das competições e dos eventos esportivos.

Empresa tem crescido em nutrição equina desde o início da operação brasileira (Foto: Brendon Thorne/Bloomberg)

“O cavalo é uma fortaleza para a Guabi, tanto pela tradição quanto pela imagem de performance associada à marca”, disse o executivo.

Varejo, com foco nos pequenos

A quarta frente é o varejo, voltado a pequenos criadores atendidos por lojas agropecuárias.

O portfólio inclui rações para aves caipiras, suínos, coelhos e codornas. Nos últimos três anos, esse canal dobrou de tamanho.

Embora a venda direta ao produtor ainda seja predominante, o varejo tem crescido mais rápido.

“Mantivemos uma proporcionalidade saudável entre B2C e B2B, mas o canal loja vem crescendo acima da média”, disse Rocha.

A Guabi não atua no segmento pet. O uso da marca Guabi para rações de cães e gatos pertence hoje à BRF Pet, após a venda desse negócio pela então controladora Mogiana Alimentos.

O futuro da empresa é bovino (e equino)

Segundo Rocha, a estratégia da empresa segue concentrada nas duas principais fontes de receita: bovinos e aquicultura.

Dentro dessas frentes, contou o executivo, a Guabi aposta especialmente nas fases iniciais da produção: cria, recria e fases iniciais de peixes e equinos.

“É a fase em que o consumo é menor em volume, mas a nutrição faz mais diferença no desempenho futuro do animal”, explicou o executivo, que vê o investimento na fase da criação como uma estratégia fundamental para que o animal expresse todo o seu potencial genético ao longo da vida produtiva.

Segundo ele, diante da atuação que a empresa possui no mercado bovino, ela também consegue “sentir” as nuances do ciclo pecuário com mais precisão.

Em momentos de mercado aquecido, cresce a demanda por produtos de maior tecnologia; em fases de baixa, o produtor tende a reduzir investimentos, explicou Rocha.

“Entendemos que é justamente na baixa que o investimento faz mais diferença, mas esse comportamento ainda oscila bastante”, disse.

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